Em um mundo onde imprevistos financeiros podem devastar famílias e pequenos negócios, os microsseguros emergem como uma solução transformadora. Eles representam a ponte entre a vulnerabilidade e a segurança, garantindo que todos tenham acesso a um amparo sólido, mesmo com orçamentos limitados.
O que são microsseguros?
Os microsseguros foram pensados para a população de baixa renda, microempreendedores individuais (MEI) e micro e pequenas empresas. Segundo a SUSEP, esses produtos oferecem prêmios muito baixos e coberturas simples e padronizadas, ajustadas à realidade de quem tem recursos restritos.
Na visão internacional, a IAIS define microsseguros como seguros acessíveis, ofertados em conformidade com práticas atuariais e regulatórias consolidadas. A proposta é clara: trazer inclusão e resiliência financeira a quem mais precisa.
- Prêmios reduzidos, compatíveis com orçamentos limitados.
- Processos simplificados de contratação e sinistro.
- Linguagem clara e transparente para o segurado.
- Foco na redução da vulnerabilidade financeira.
Marco regulatório no Brasil
A Resolução CNSP nº 409/2021 estabeleceu as diretrizes modernas para os microsseguros, consolidando conceitos e reforçando a importância desse segmento. Ela permite a oferta de garantias tanto para pessoas quanto para danos, desde que estruturadas em regime de repartição.
Em complemento, a Circular SUSEP 395/2009 e a Resolução CNSP 244/2011 criaram as bases iniciais, dedicando-se a produtos de previdência e definindo as responsabilidades dos correspondentes de microsseguro.
- Seguradoras autorizadas pela SUSEP podem atuar no segmento.
- Procedimentos simplificados para constituição de empresas especializadas.
- Regras gerais de seguros aplicáveis, sem contrariar princípios específicos.
Principais tipos de produtos e coberturas
Os microsseguros se dividem em duas categorias principais: os de pessoas e os de danos. Cada um oferece proteções essenciais para a rotina de quem vive em situação de baixa renda com residência fixa no Brasil. Conheça abaixo um resumo das opções:
Cada contrato é formalizado por meio do "Bilhete de Microsseguro", documento simplificado que garante agilidade e clareza ao segurado. A idade de ingresso costuma variar entre 16 e 70 anos.
Canais de distribuição e inovação
Levar microsseguros até as mãos de quem mais precisa depende de parcerias criativas e tecnologia. Os canais alternativos complementam os modelos tradicionais e aproximam o produto do cotidiano do público-alvo.
- Correspondentes bancários e de microsseguro, atuando em bairros e municípios remotos.
- Corretor de microsseguro, figura especializada para orientar o segurado.
- Contratação e sinistros 100% digitais, via celular e aplicativos intuitivos.
Além disso, parcerias com varejo, telefonia e fintechs permitem ofertas em massa, com mensalidades a partir de R$ 3,50. É a tecnologia a serviço da inclusão.
Dimensão de mercado e oportunidades
O relatório "Landscape of Microinsurance 2024" revelou que 344 milhões de pessoas no mundo já contam com microsseguros. Isso representa um crescimento de 70% em três anos. Ainda assim, há um universo de 3 bilhões de indivíduos sem proteção.
Em termos financeiros, os prêmios cresceram 50% desde 2021, e a soma segurada global ultrapassa US$ 11 bilhões. No entanto, apenas 12% do público potencial está coberto, indicando um mercado enorme a ser explorado.
Os microsseguros levam em média 3 a 4 anos para atingir maturidade, mas quando consolidados geram crescimento sustentável de prêmios e retenção de clientes qualificada.
Impacto social e sustentabilidade
Mais do que números, os microsseguros transformam vidas. Eles oferecem tranquilidade nos momentos de crise, evitam o endividamento emergencial e estimulam o planejamento familiar e empresarial.
Para o microempreendedor, um sinistro de equipamento não precisa significar o fim das atividades. Para a família, uma internação hospitalar não se torna fardo financeiro insustentável.
Essa proteção social embutida fortalece comunidades e contribui para a redução das desigualdades.
Como avançar na inclusão de microsseguros?
Para ampliar o acesso, seguradoras e reguladores devem: cooperar, inovar e comunicar. É fundamental:
- Investir em educação financeira e campanhas de esclarecimento.
- Desenvolver produtos flexíveis e escaláveis, ajustados às realidades locais.
- Fortalecer canais digitais e capacitar parceiros de atendimento.
O setor também pode explorar dados e inteligência artificial para personalizar ofertas e otimizar processos de sinistro, reduzindo custos.
Conclusão
Os microsseguros são a chave para democratizar a proteção financeira. Quando integrados ao cotidiano de milhões de brasileiros, promovem resiliência familiar e empresarial, geram confiança e abrem caminho para uma sociedade mais justa.
Investir em microsseguros é investir no futuro: vidas mais seguras, negócios mais sustentáveis e comunidades mais prósperas. Junte-se a essa jornada e ajude a estender esse guarda-chuva de estabilidade a quem mais precisa.