Em um cenário de constantes aumentos de preços e pressão em todos os setores da economia, as empresas e famílias se veem diante do desafio de equilibrar investimentos em proteção com restrições orçamentárias. O mercado de seguros, que engloba segmentos como saúde empresarial, patrimonial, cibernético e responsabilidade civil, tem apresentado reajustes mesmo diante de certa moderação global. Saber equilibrar custo x proteção é, portanto, uma habilidade estratégica essencial para quem busca segurança sem comprometer a saúde financeira.
Neste artigo, você encontrará conceitos fundamentais, fatores que determinam o preço das apólices e quatro pilares práticos para otimizar seus custos com seguros. A proposta não é simplesmente pagar menos, mas eliminando desperdícios e blindando o negócio, garantindo o melhor retorno sobre cada real investido em proteção.
Por que falar em otimização de custos com seguros?
No segundo trimestre de 2024, os preços dos seguros comerciais na América Latina tiveram alta de 4%, segundo o Global Insurance Market Index (GIMI) da Marsh. No Brasil, o número de apólices empresariais cresceu 12% em 2024, conforme dados da SUSEP. Esse aumento de demanda, aliado à pressão por redução de gastos nas organizações, torna imperativo adotar uma visão proativa sobre a gestão de seguros.
Apesar do crescimento de preços, a moderação das taxas globais abre oportunidades: empresas que aprimoram a gestão de riscos antes da contratação e demonstram maturidade na gestão de sinistros podem negociar condições mais favoráveis, como limites mais altos e prêmios inferiores.
Conceitos-chave para entender o universo de seguros
Antes de aplicar qualquer estratégia de otimização, é fundamental dominar alguns termos básicos.
- Prêmio: valor pago pelo segurado à seguradora pela cobertura contratada.
- Sinistro: evento gerador de prejuízo coberto pela apólice, como incêndio, furto ou internação.
- Franquia/participação obrigatória: parcela do prejuízo de responsabilidade do segurado.
- Coparticipação (saúde): divisão de custos de procedimentos entre empresa e colaborador.
- Gestão de riscos: processos para identificar, avaliar e tratar riscos, reduzindo a probabilidade de sinistros.
- Gestão de sinistros: acompanhamento estruturado de ocorrências, visando controle de custos e melhoria contínua.
Principais fatores que influenciam o preço do seguro
Cada tipo de seguro possui variáveis específicas que determinam o valor final do prêmio. Entender esses fatores ajuda a direcionar ações de redução de custos.
Seguro empresarial
O prêmio de um seguro empresarial considera principalmente:
- Tipo de negócio/ramo de atividade: maior exposição a riscos eleva o valor da apólice.
- Localização e infraestrutura: regiões com histórico de sinistros, condições climáticas adversas ou infraestrutura precária encarecem o seguro.
- Tamanho e valor dos ativos: máquinas, estoque e edifícios formam a base de cálculo do prêmio.
- Histórico de sinistros: empresas com ocorrências frequentes ou de alto valor pagam mais.
- Medidas de segurança e prevenção: sistemas de alarme, brigada de incêndio, manutenção preventiva reduzem o risco percebido.
- Capacidade de gestão de riscos: processos estruturados e indicadores claros tornam a empresa um perfil de menor risco.
Planos de saúde empresariais
Nos planos de saúde corporativos, os reajustes e prêmios são influenciados por diversos aspectos:
O perfil etário e epidemiológico dos colaboradores impacta diretamente os custos, pois equipes mais jovens tendem a utilizar menos serviços. Já a sinistralidade histórica, ou seja, o histórico de utilização do plano, determina reajustes maiores quando há aumento expressivo no número de procedimentos ou internações.
O modelo de plano (com ou sem coparticipação) e a abrangência da cobertura (hospitalar, ambulatorial, obstétrica, odontológica) influenciam o prêmio. Planos com grande rede credenciada costumam ser mais caros, enquanto redes mais enxutas e o uso de telemedicina podem equilibrar custo e qualidade.
Programas de prevenção, como campanhas de vacinação, controle de colesterol e gerenciamento de doenças crônicas, formam programas de prevenção corporativa que reduzem a sinistralidade ao longo do tempo.
Pilares para otimizar seus custos com seguros
Para estruturar uma estratégia eficaz, apresentamos quatro pilares que devem ser aplicados de forma integrada, tanto por pessoas físicas quanto por empresas.
Pilar 1 – Gestão de riscos antes da contratação
O ponto de partida é mapear todos os riscos relevantes:
- Patrimoniais: incêndio, roubo, enchente.
- Operacionais: falha de máquinas, interrupção de negócios.
- Pessoais: acidentes, invalidez e doenças.
- Cibernéticos: ataques, vazamento de dados.
Em seguida, implemente medidas de mitigação, como sistemas de segurança física, políticas de manutenção preditiva e controles internos de cibersegurança. Empresas que demonstram monitorar sinistros em tempo real e adotar práticas preventivas obtêm benefícios diretos na negociação de apólices.
Pilar 2 – Escolha adequada de coberturas
Contratar o seguro certo significa pagar pelo que realmente importa, sem subseguro ou sobreposição de garantias.
- Evitar subseguro, garantindo indenização compatível com o valor real do ativo.
- Eliminar sobreposições de coberturas entre diferentes apólices.
- Personalizar apólices conforme o perfil de riscos específico do negócio ou da família.
Esse processo de ajuste permite alcançar o valor justo para cada cobertura, protegendo adequadamente sem custos extras.
Pilar 3 – Comparar, negociar e usar especialistas
Pesquise propostas de múltiplas seguradoras e corretoras, avaliando não apenas o preço, mas limites, franquias, carências, exclusões e serviços agregados. Contar com consultores especializados, como Marsh, IMC Brasil e outras empresas de renome, pode gerar economia significativa.
Há relatos de redução de até 22% nos custos de planos de saúde empresarial após a reestruturação de coberturas e redes de atendimento, mantendo ou até ampliando benefícios para os colaboradores.
Pilar 4 – Gestão ativa de sinistros
Ter um processo claro para registro e acompanhamento de sinistros faz toda a diferença. Estabeleça indicadores-chave, treine equipes para documentação precisa e use soluções tecnológicas para acelerar a análise de ocorrências.
Uma gestão madura de sinistros demonstra ao mercado e às seguradoras a capacidade de controlar custos e reduzir impactos. Isso se traduz em melhores condições em renovações e até em programas de fidelização com descontos adicionais.
Conclusão
O aumento dos preços de seguros não precisa ser sinônimo de perda de proteção ou de prejuízo financeiro. Ao adotar uma abordagem estruturada — baseada em mapear riscos, ajustar coberturas, comparar propostas e gerir sinistros de forma proativa —, empresas e famílias conquistam maior segurança e gerenciam seu orçamento de maneira inteligente.
Investir tempo e recursos em planejamento e parcerias especializadas traz benefício financeiro imediato e sustentável, garantindo que cada apólice cumpra seu papel: oferecer tranquilidade e amparo nos momentos mais críticos, sem pesar no caixa.