Em um cenário em que as tentativas de fraude no Brasil ultrapassaram 6,9 milhões no primeiro semestre de 2025, a adoção de estratégias efetivas de proteção tornou-se crucial para preservar valores e reputação.
Contexto e dimensão do problema
Segundo dados recentes, foram registradas quase 7 milhões de tentativas de fraude entre janeiro e junho de 2025, equivalendo a uma ação maliciosa a cada 2,3 segundos. Esse crescimento de 29,5% em relação ao mesmo período de 2024 revela um cenário alarmante, que exige atenção redobrada de empresas e pessoas.
O prejuízo potencial decorrente dessas ações ultrapassa R$ 39,8 bilhões, considerando os casos que chegam até a fase de efetivação. No setor financeiro, apenas bancos e emissores de cartões enfrentam riscos estimados em mais de R$ 15,7 bilhões no primeiro trimestre de 2025.
Os segmentos mais impactados demonstram que fraudes não respeitam fronteiras corporativas. Veja abaixo o crescimento por setor no primeiro semestre de 2025:
Em termos geográficos, todas as unidades da federação registraram aumento. O Norte e o Nordeste apresentaram as maiores altas percentuais, enquanto o Sudeste concentrou 47,5% do volume total, com São Paulo sozinho respondendo por quase 30% das tentativas.
Pesquisa da Serasa indica que 50,7% dos brasileiros foram vítimas de fraudes em 2024, e mais da metade desses casos resultou em prejuízo financeiro. Esse dado evidencia que não apenas empresas, mas cidadãos comuns também precisam reforçar medidas de proteção digital e financeira.
O conceito de vigilância constante
A máxima “Money Never Sleeps” reflete a realidade de um mercado em que ativos e riscos circulam ininterruptamente. Não há horários de pausa para as operações fraudulentas, o que torna imprescindível a vigilância constante e proativa contra fraudes.
Essa postura envolve a observação contínua de transações, acessos e comportamentos atípicos, buscando identificar padrões suspeitos antes que causem danos. Ferramentas de análise comportamental, inteligência artificial e alertas em tempo real desempenham papel central nesse contexto.
Gestão de riscos financeiros aplicada à prevenção de fraudes
A gestão de riscos financeiros estruturada consiste em um ciclo permanente de aprimoramento, que busca balancear segurança e crescimento.
- Identificação de riscos: mapeamento de possíveis fraudes, como phishing, engenharia social e clonagem de cartão.
- Mensuração de impactos: avaliação da frequência e das perdas potenciais em cada tipo de golpe.
- Definição de apetite de risco: estabelecimento de limites aceitáveis de exposição financeira.
- Implementação de controles: políticas, procedimentos e monitoramento em tempo real de transações.
- Monitoramento e revisão: uso de indicadores-chave de risco e ajustes constantes nos controles.
Com esse processo, as organizações conseguem antecipar eventuais falhas e fortalecer pontos vulneráveis. A comunicação transparente com stakeholders também reforça a confiança e facilita a adoção de melhorias contínuas.
Cibersegurança financeira e postura preventiva
Em um ambiente digital cada vez mais integrado, a cibersegurança financeira deve estar presente desde a concepção dos sistemas, adotando o conceito de segurança por design nos projetos.
- Gerenciamento de acessos e permissões de forma segmentada.
- Monitoramento de APIs e integrações para evitar vazamentos de dados.
- Automação na detecção de vulnerabilidades e resposta imediata.
Essas práticas estimulam respostas ágeis a ameaças emergentes e reduzem o tempo de exposição a possíveis ataques, conferindo maior robustez ao ecossistema financeiro.
Boas práticas para proteger seus ativos
Adotar uma cultura de segurança requer esforços coordenados em tecnologia, processos e pessoas. A seguir, algumas recomendações essenciais:
- Realizar treinamentos regulares com equipes para identificar e reagir a fraudes.
- Estabelecer políticas de senha forte e autenticação multifator.
- Implementar sistemas de alerta que sinalizem atividades fora do padrão.
- Manter softwares e dispositivos sempre atualizados com patches de segurança.
- Realizar auditorias periódicas e testes de invasão (pen tests).
Ao combinar esses elementos com políticas, procedimentos e treinamentos contínuos, fica mais viável construir uma infraestrutura resiliente, capaz de resistir aos ataques mais sofisticados.
Em suma, a proteção contra fraudes exige monitoramento constante de risco e inovação tecnológica. Somente assim é possível preservar o valor dos ativos, garantir a confiança dos clientes e manter a integridade de sistemas financeiros.